DOENÇAS NEGLIGENCIADAS EM FOCO

por / Segunda-feira, 09 Outubro 2017 / Categoria Notícias

Desenvolver novas soluções para a vigilância epidemiológica, a detecção e o tratamento de doenças negligenciadas. Esse é o principal objetivo de dois grandes projetos do IBMP, financiados pela Finep e o BNDES. Nesta entrevista, o pesquisador Alexandre Costa, que lidera as iniciativas do IBMP que envolvem testes PCR em Tempo Real, apresenta inovações aplicadas e em desenvolvimento no Instituto. “A expectativa é que num futuro breve, quiçá 2018, esses testes sejam produzidos pelo IBMP e fornecidos à rede pública de laboratórios de diagnóstico”, adianta o pesquisador.

Quais as plataformas de diagnóstico em desen- volvimento no IBMP?
O IBMP tem dois grandes projetos de desenvolvi- mento de novos testes diagnósticos para doenças negligenciadas: “Plataformas de Desenvolvimento e Produção para Demandas Diagnósticas Estratégicas em Vigilância Epidemiológica”, financiado pela Finep, e “Pesquisa e Desenvolvimento de Novas Soluções para o Diagnóstico e o Tratamento de Doenças Negligenciadas no Brasil”, pelo BNDES. O primeiro se propõe a desenvolver testes moleculares (do tipo PCR em Tempo Real) e de base sorológica (como os testes rápidos) para diagnóstico de malária, doença de Chagas, tifo, febre amarela, leishmaniose humana, dengue, zika e chikungunya. O segundo visa desenvolver testes de PCR em Tempo Real portá- teis para malária, tuberculose, hanseníase, tracoma e leishmaniose humana. A expectativa é que num futuro breve, quiçá 2018, esses testes sejam produzidos pelo IBMP e fornecidos à rede pública de laboratórios de diagnóstico.

Quais as tecnologias envolvidas?
A principal é a PCR em Tempo Real. Um dos objetivos é desenvolver novos testes com o principal produto do IBMP, que é o mastermix para PCR em Tempo Real. Olhando para nossos clientes, percebemos que a maioria usa um determinado equipamento. Assim, nosso foco é produzir novos kits com o mastermix do IBMP numa plataforma que está presente nos laboratórios dos nossos clientes. O projeto financiado pelo BNDES resultará em testes para um equipamento portátil, de forma que a PCR em Tempo Real possa sair do laboratório de análises clínicas e estar mais próxima da população, em postos de saúde de bairros afastados ou nos hospitais de cidades pequenas.

Quais os principais desafios?
Doenças negligenciadas têm esse nome porque recebem pouca atenção das agências de fomento e portanto menos investimento para projetos de pesquisa ou desenvolvimento tecnológico. Isso ocorre, em parte, porque afetam populações pobres, em países em desenvolvimento. Por isso, apesar de conhecermos bem o ciclo de vida dos patógenos, muitas vezes as informações sobre seu genoma, proteoma e vias metabólicas são escassas. Assim, aumentam as chances do alvo genômico não ser o mais adequado, seja por não captar a diversidade do organismo alvo ou por apresentar reação cruzada com outro organismo semelhante. Há, ainda, os desafios logísticos e financeiros de transportar e armazenar reagentes a -20oC.

Como o IBMP vem investindo na superação dessas lacunas?
O IBMP é parte do sistema Fiocruz, que tem como missão desenvolver e produzir produtos para a Saúde Pública. Então, quando um conhecimento não está disponível, buscamos produzi-lo ou colaborar com outros pesquisadores e instituições dedicados a este fim. O transporte e o armazenamento de reagentes a -20oC é um exemplo interessante. Identificamos e absorvemos uma tecnologia estratégica, a gelificação, para aplicar aos nossos testes. Percebendo a sua aplicabilidade, o FDA encomendou o desenvolvimento de um teste gelificado para detecção de Cyclospora cayetanensis em alimentos. Hoje, somos seus fornecedores. É um dos poucos casos em que o Brasil vende para os Estados Unidos um produto biotecnológico de alta complexidade – e não o contrário.

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